Explorando o Reuters Digital News Report 2026
Destaque: a ascensão do consumo de notícias em vídeo
Entra ano, sai ano, sempre olho para os dados do Reuters Digital News Report, principal pesquisa de mídia. E, em 2026, melhorei a estrutura dessa análise com o NotebookLM. Fiz um histórico com edições anteriores, facilitando a comparação ao longo do tempo.
Ascensão dos vídeos
Usando o NotebookLM e selecionando apenas o arquivo do Reuters Digital News Report 2026, pedi que gerasse um infográfico. Eis o resultado:

A ascensão dos vídeos (em plataformas como YouTube, TikTok e Instagram) é o principal achado da pesquisa deste ano. Mais do que superar os sites e apps das próprias organizações, este dado mostra para além.
Um pitaco meu:
"As organizações de notícias precisam pensar em influência de forma mais estratégica. É desejável que publishers se tornem mais influencers para manter relevância e construir comunidades. Em outras palavras: o jornalista dono de jornal independente tem que dar mais a cara a tapa. É colocar o rostinho pra jogo mesmo."
Os dados mostram um negócio que a gente já sabia: as pessoas gostam de ver pessoas e confiam mais nos negócios quando o dono aparece.
Monetização no YouTube?
Os dados reforçam um movimento para 2027: ampliar a presença do Correio Sabiá no YouTube como fonte alternativa de receita (e resiliência financeira) para a organização.
Andei pensando o seguinte:
"Frequentemente, reclamamos no ecossistema de notícias sobre a dificuldade de montar um modelo de negócios sustentável, uma crítica super válida, inclusive. Mas a gente olha pouco e debate pouco sobre o modelo de negócios do YouTube para creators, que se mostrou eficiente em diversos casos. Será que os jornais não conseguem se beneficiar dessa lógica?"
Creators
Globalmente, 77% das pessoas consomem vídeos de notícias online toda semana, com a maior parte do consumo em plataformas de terceiros.
Além disso, 27% do público global consome notícias através de criadores de conteúdo/influenciadores, que são vistos como mais divertidos e fáceis de entender do que a mídia tradicional, embora menos imparciais e confiáveis.
O cenário no Brasil
O Brasil tem um ecossistema de influenciadores extremamente forte e politicamente polarizado. Atualmente, 33% da população brasileira se informa por meio de criadores de conteúdo focados em notícias (acima da média global).
O jornalismo precisa competir em plataformas onde o consumo de notícias é altíssimo:
- Instagram (49%)
- YouTube (42%)
- TikTok (21%)
Consumo: Intencional (YouTube) vs. Acidental (TikTok/Instagram)
Digno de nota: o relatório mostra o consumo de notícias em plataformas. Mas o consumo nelas não é igual.
O relatório aponta uma clara divisão no comportamento das audiências e na duração dos vídeos:
- YouTube: É tratado por muitos como uma plataforma de streaming. Seu consumo de notícias é majoritariamente intencional (55% entram na plataforma para buscar notícias) e há grande apetite para formatos longos (cerca de 23% dos usuários de notícias no YouTube assistem a vídeos com mais de 20 minutos de duração).
- TikTok e Instagram: Nestas plataformas, o consumo de notícias é "acidental" (cerca de 54-55% dos usuários esbarram em notícias enquanto buscam entretenimento). O foco é esmagadoramente em vídeos curtos e verticais de menos de 2 minutos (que representam 55% do consumo no TikTok)
Meios de Consumo e Smart TVs
O modo como as pessoas usam a televisão também está mudando. Globalmente, 27% do público agora assiste a notícias sob demanda (VOD) na sua Smart TV através de aplicativos de terceiros, como o YouTube.
Os jovens usam a TV conectada de forma muito semelhante ao uso que fazem dos smartphones, acessando os conteúdos via apps em vez da TV linear.
As emissoras tradicionais brasileiras estão percebendo rapidamente a força do consumo via Smart TVs e streaming. O ano passado, 2025, viu o surgimento de novos canais de notícias 24 horas no modelo FAST (canais gratuitos suportados por anúncios em plataformas de streaming e TVs conectadas), como o SBT News, CNN Money e The Times Brasil (CNBC), visando acompanhar essa mudança de comportamento.
Confiança segue em queda
A confiança global nas notícias caiu para 37% (queda de 3 pontos), atingindo o nível mais baixo desde que a métrica começou a ser monitorada em 2015.
Essa queda generalizada afeta 29 dos 48 mercados pesquisados e reflete o declínio da confiança nas instituições e ataques políticos diretos à imprensa.
A confiança nas notícias no Brasil atingiu 36%, o nível mais baixo em 12 anos. Este declínio ocorre num contexto de forte polarização partidária, impulsionado pelo ciclo eleitoral de 2026 e por escândalos políticos e financeiros recentes.