Queremos a nossa injustiça de volta! Meu manifesto contra o VAR

O VAR inaugurou uma nova forma de injustiça no futebol, agora sob chips e bets

O VAR inaugurou uma nova modalidade de injustiça no futebol, agora sob chips e bets. Os erros de arbitragem não acabaram, mas agora há uma falsa sensação de que a vigilância e a tecnologia tornaram o esporte mais justo. Ilusão.

O VAR nem sequer foi chamado quando, ainda na fase de grupos, a Inglaterra fez um pênalti descarado no jogador de Senegal.

O VAR não estava em funcionamento quando Lionel Messi cravou as travas da sua chuteira na canela do jogador da Argélia, na estreia da Copa, partida em que fez 3 gols. Na partida seguinte, em que estaria suspenso, Messi anotou mais 2.

Por outro lado, verdade seja dita, o VAR analisou um lance praticamente idêntico ao de Balogun, dos Estados Unidos, que acabou expulso.

Mas o presidente estadunidense Donald Trump pediu, e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, atendeu: Balogun teve o cartão vermelho revertido fora de campo e foi liberado para disputar a partida das oitavas de final contra a Bélgica. Trump agradeceu.

“Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”

Infantino é o mesmo que criou um prêmio da Paz para seu amigo Trump, concedido no momento do sorteio dos jogos da Copa, realizada nos EUA, país que mantém guerras pelo mundo.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino (à direita), entrega ao presidente Donald Trump o Prêmio da Paz da FIFA durante o sorteio da Copa do Mundo de Futebol de 2026, no Kennedy Center, em Washington, em 5 de dezembro de 2025. (Foto AP/Chris Carlson, Arquivo)

E Trump é o presidente que reivindicava em causa própria o Prêmio Nobel da Paz, que até lhe foi dado (ao menos, fisicamente) pela oposicionista venezuelana María Corina Machado, num gesto bizarro de subserviência.

Como a transferência do nome premiado é impossível, Trump agora mantém sob seu domínio a medalha de outra pessoa. Mas conseguiu preencher esse vazio emocional graças ao presidente da FIFA.

Voltando ao VAR, quando Portugal, de Cristiano Ronaldo, enfrentou a Croácia, os croatas chegaram a um empate milagroso no final da prorrogação. Invalidado.

O sensor embutido na bola detectou, com sensibilidade sem precedentes, uma pequena oscilação. Sucessivos replays explicaram: a bola raspou no cabelo do jogador croata, e a interpretação final foi de impedimento.

Todo mundo que já brincou de pique-pega sabe que "cabelo não tem sangue".

Não entendi até agora se esse desvio deve ou não configurar impedimento. Sinceramente, acho que um negócio desses nem tem precedentes. Mas vá lá que seja impedimento mesmo, há uma certeza: belo anticlimax.

Quando Portugal foi declarado vencedor, os jogadores eram só sorrisos amarelos. Um constrangimento enorme estampado na cara de quem venceu graças a uma intervenção tecnológica.

Cristiano Ronaldo e Messi são 2 dos maiores jogadores que vimos na história do futebol. Ambos visitaram Trump em 2026.

São fatos que nos fazem ter saudades de craques politizados como Maradona, que, antes de morrer, em 2018, disse:

"Não há paixão. Os canadenses talvez sejam bons esquiadores, e os americanos queriam ter 4 períodos de 25 (minutos) para as propagandas." 

Foi o que aconteceu. Estamos em tempos de cooling break, bets e chips.

Mudou a narrativa, mas os favorecidos continuam os mesmos. Tudo bem, o futebol ficou muito mais justo.

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