Como a IA influencia nossas capacidades como jornalistas
Quais habilidades podemos estar ganhando e perdendo
Faço bastante uso de ferramentas de IA (múltiplas tarefas, inclusive para ter mais conhecimento das capacidades e poder repassá-las para outros jornalistas em mentorias e tal) e estava pensando nestes dias sobre a influência que essa tecnologia deve ter em nossos, digamos, processos cognitivos.
De outra forma, como o amplo uso da IA tem nos moldado como sociedade. De que forma a interação constante com essas tecnologias, por exemplo, uniformiza a forma como escrevemos?
Algumas palavras que estavam em risco de extinção são usadas a todo momento –o que torna até mais complexo definir se um texto foi ou não escrito por uma IA.
Enfim, estava imerso nesses pensamentos e, despretensiosamente, rolando o feed do LinkedIn, apareceu um artigo do Nieman Lab (link ao final deste conteúdo) que explorava como a IA vem fazendo jornalistas perderem algumas habilidades e ganharem outras.
Interessante, não?
Bom, eu achei e compartilhei imediatamente (antes mesmo de ler –prática que não recomendo, mas é o tal negócio: faça o que falo, e não o que faço) no grupo de Jornalismo Empreendedor, dentro da comunidade do Correio Sabiá no WhatsApp.
O grupo reúne vários jornalistas, professores de jornalismo e estudantes da área, assim como empreendedores de mídia, interessados em discutir, sobretudo, modelos de negócio e sustentabilidade financeira.
O que pode piorar e o que pode melhorar
O resumo produzido pelo Nieman Lab sobre a pesquisa completa (baixe o PDF ao final deste conteúdo) mostrou que algumas das principais preocupações foram:
- Possibilidade de jornalistas perderem habilidades fundamentais de pesquisa e verificação de fontes primárias, já que as ferramentas de IA generativa produzem explicações e contextos rapidamente.
- Potencial redução da motivação de repórteres para realizar entrevistas e compreender melhor os temas, já que as ferramentas dão fácil acesso a relatórios sobre diferentes assuntos.
Particularmente, acho que o maior impacto está neste parágrafo aqui, que transcrevi na íntegra (disclaimer: tive ajuda da IA para traduzir rapidamente):
"De modo geral, o estudo revelou a preocupação de jornalistas em atividade de que as ferramentas de IA estariam "simplificando excessivamente a profissão" ou "emburrecendo-a", nas palavras de um dos entrevistados, uma vez que pesquisas, perguntas para entrevistas e rascunhos de matérias gerados por IA poderiam comprometer a capacidade dos jornalistas de pensar por conta própria."
Veja a tabela abaixo, em inglês, com os prós e contras:

O que acho disso?
Ninguém perguntou, mas vou dar uns pitacos.
Está tudo no campo do "pode", ou seja, das possibilidades. Estamos vendo em tempo real as consequências do uso da IA e aprendendo a lidar com elas ao vivo.
Acho que a IA ajuda bastante a apurar grandes volumes de dados. Otimiza muito a nossa função, além de nos livrar de tarefas chatíssimas, como a transcrição de entrevistas (algum repórter suportava isso?). Exemplo:

Sobre desinformação, acredito que a IA torna a produção de conteúdo falso ainda mais escalável. Mas também fornece ferramentas de apuração, inclusive para os leitores e espectadores verificarem fatos. O trabalho consistirá, em grande parte, em educar audiências. Letramento midiático (em inglês, media literacy).
Ainda acho que o jornalismo tem uma função especial no contexto da IA: enquanto vários trabalhos poderão ser totalmente automatizados, acredito que o nosso trabalho terá apenas tarefas automatizadas.
Ou seja, o jornalista terá que continuar reportando sobre o que está acontecendo no momento e produzindo visões inexploradas pelas tecnologias. Está no campo do inédito.
Falando em IA... Já testou o Mamute Político?

Começamos a divulgar oficialmente o maior projeto que já executamos, o Mamute Político, que oferece memória de elefante para combater a amnésia eleitoral.
É comprovado que 7 a cada 10 brasileiros não lembram em quem votaram na eleição passada para deputado federal –e as eleições estão chegando.
Links e referências

Breve artigo Nieman Lab sobre a pesquisa que questiona se a IA tem feito jornalistas perderem habilidades
A pesquisa completa está aqui, em inglês. Se preferir, baixe em PDF.
*O MauriNews é um espaço autoral do fundador do Correio Sabiá, o jornalista e empreendedor Maurício Ferro. A ideia é misturar um pouquinho de tudo: bastidores do Correio Sabiá e empreendedorismo, tendências de mídia, comportamento e mais. Ideias que fazem sentido na minha cabeça –e que talvez possam fazer sentido na sua também. Acompanhe ainda pelo Instagram.
